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Não é de hoje, que o Ministério Público de Rondônia vem admoestando administradores da coisa pública sobre o inchaço das folhas de pagamento com a contratação de comissionados, mas parece que o MP tem pregado a ouvidos moucos. Insensíveis aos problemas que ocorrem ao redor de suas pessoas, certas autoridades parecem não se aperceberem das consequências nefastas dessa conduta para com o erário, ignorando, de maneira irresponsável, que o total rompimento entre receita e despesa poderá levar as instituições e os órgãos que dirigem à bancarrota.
Chega a ser até difícil imaginar o que se passa na cabeça dessa gente, tantas e tão variadas são as complicações de um pensamento assim, que não enxerga o que de ruim acontece ao seu redor. Não se diga, contudo, que isso ocorra apenas no executivo estadual e municipal. Agora, mesmo, matéria postada no site Tudo Rondônia dá conta de que a Assembléia Legislativa de Rondônia teria quase mil comissionados, ou seja, mais que o dobro dos servidores efetivos e celetistas (hoje, em número de quatrocentos).
E onde estariam essas pessoas? Provavelmente lotados nos gabinetes dos nobres deputados, como assessores parlamentares. Muitos, sequer, talvez nem saibam onde fica o prédio da Assembléia. Outros só comparecem ao caixa eletrônico para sacar a grana no dia do pagamento. O próprio presidente da ALE, José Hermínio Coelho, deve ter um punhado deles em seu gabinete. Por isso, não tem o menor interesse em divulgar a relação dos servidores daquela casa. Um deles, aliás, tem o péssimo hábito de andar pelos corredores e gabinetes da Câmara de Vereadores de Porto Velho, contando as peripécias de seu patrão.
É o velho ditado do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Hermínio é rápido no gatilho quando se trata de cobrar moralidade e transparência dos demais poderes, mas não consegue sair da mesmice e avançar na adoção de medidas efetivas e moralizadoras, que contribuam para melhorar a desgastada imagem da ALE perante a opinião pública.
Aqui e acolá, em seus rompantes demagógicos, Hermínio tem dito que os tempos são outros e que a ALE vive uma nova era de modernidade e transparência, mas, até agora, não conseguiu restabelecer o respeito ao princípio da autoridade. Assim não dá, presidente!
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